O Edifício Brasília foi construído em finais da década de 1930 por um grupo de empresas européias que tinham a intenção de construir um prédio de alto gabarito. Na verdade o edifício atual resulta da unificação de dois edifícios construídos separadamente: o Edifício Brasília e o Edifício Anexo Brasília.

 

A construção do Anexo Brasília foi terminada provavelmente em 1942 ou 1943 e seu andamento pode ser visto com clareza na foto de setembro de 1941, do lado esquerdo do obelisco, onde a construção está a altura do 5º andar (veja melhor na foto ampliada). Também nesta foto pode-se ver o início da subida do Edifício São Borja (Av. Rio Branco 277, conhecido antigamente como “senadinho”).

 

Apesar de os dois edifícios terem sido unificados logo após seu término, o Anexo Brasília foi construído como um edifício independente, com caixa de corrida para o elevador, caixa d'água, cisterna e tudo o mais. Porém, estas instalações não foram utilizadas para este fim, e sua caixa d'água de 40.000 litros nunca foi usada, permanecendo lá no terraço, vazia, sem tubulação de saída ou entrada de água.

 

Contou um antigo condômino que havia a intenção dos incorporadores de que o edifício viesse a se tornar algum tipo de sede do governo da época. Inclusive o nome “Brasília”, batizando este edifício antes de existir a capital atual, inaugurada em 1960, reforça esta idéia. Também há a coincidência de haver uma semelhança de sua planta baixa com o Plano Piloto, onde ambos possuem duas “asas” saindo de uma parte central. Porém não existem arquivos sobre a veracidade desta história.

 

Também, talvez este seja o motivo de haver um lapso de cerca de 10 anos entre o término de sua construção e a data da 1ª Convenção do condomínio (1950), após a qual suas unidades começaram a ser negociadas para venda.

 

O prédio foi projetado com um parrudo sistema de ar-condicionado central (em 1941), que era alimentado à óleo. As máquinas ocupavam uma sala de 100m2 no último andar do edifício e havia um depósito de óleo sob o piso do estacionamento, para abastecer o maquinário. Um antigo porteiro, que começou como servente na época da inauguração do edifício, contou que este sistema realmente funcionou por algum tempo, refrigerando todas as salas, corredores e escadas.

 

O ar refrigerado seguia por dois prismas verticais de 1m x 1,5m, que corriam do último ao primeiro andar, tendo suas distribuições horizontais feitas sobre o rebaixo do teto dos corredores, através condutores de chapa de ferro isoladas por cortiça.

 

Este sistema de refrigeração também utilizava água gelada, que percorria o edifício em uma tubulação protegida por uma capa de fibra de vidro, indo do porão, de uma divisão da cisterna específica para este fim, ao último andar, na sala das máquinas de ar condicionado. Como apresentava muitos problemas, o sistema acabou sendo desmontado alguns anos mais tarde. Ainda hoje existem algumas portas de salas com a janela de ventilação na parte de baixo, para permitir o fluxo do ar refrigerado.

 

No início da preparação do terreno para as fundações do edifício (feitas pela Estacas Franki) foi encontrada uma âncora de cerca de 1,5m de altura, a qual ainda está guardada no condomínio e comprova que este local provavelmente se situava à beira da praia ou já dentro do mar, antes dos sucessivos aterros feitos nesta região.

 

O porteiro que contou a história do ar-condicionado também diz ter presenciado o mar batendo aos pés do obelisco, visto de dentro da portaria do edifício (veja as fotos antigas).

 

Outra história curiosa contada por ele fala sobre um dentista com consultório neste edifício, onde um de seus clientes era nada mais nada menos do que o Presidente do Brasil da época. Quando se sabia que ele viria ao edifício, colocavam um tapete vermelho em direção a um dos 4 elevadores sociais e o ascensorista mais antigo vestido à caráter, um senhor baixinho com quepe e traje de gala, em posição de sentido, exclusivamente à espera do ilustre cliente.